NÃO É ESTA À ANGOLA QUE SONHEI!

Por: Kizúa Massoxe

Por conta dos heróis que surgiram na sequência da manifestação contra o desemprego e a realização das autarquias, no sábado, sob o apoio da UNITA, em tom solidário e patriótico, toda a sociedade civil repudiou o final trágico que teve o acto, e, até o momento, Angola encontra-se num estado social de emoções e ânimos elevados, sobretudo por parte da juventude.

A manifestação teve um impacto tremendo, ao ponto de mover reacções de inúmeras figuras públicas, de várias esferas, tal como: Preto Show, Yuri da Cunha, Eva Rapdiva, Gilmário Vemba, Victor Hugo Mendes e muitos outros, que mostraram-se descontentes com final dado aos manifestantes, pelo que, realmente, não terá sido o melhor e o isso chegou a desgastar a imagem do Executivo angolano.

Compreendemos efectivamente que o país não está no seu melhor e que ainda há muito a ser feito, isso ninguém nos pode tentar sequer ludibriar, porém, enquanto cidadão angolano que dá o seu contributo para uma Angola mais próspera, não vulgarizemos a importância de uma manifestação, fazendo dela, agora, modismo popular, sendo que vidas já se perderam e a nossa mensagem já foi dada, uma vez que eu também manifestei.

Estamos a nos tornar marionetes de outros, no âmbito da luta contra os problemas que coabitam com os angolanos. Não precisamos frequentar as melhores universidades para compreendermos que, enquanto cidadãos que defendem uma causa colectiva, não precisamos parecer que apoiamos, ou temos o apoio, de uma força política na oposição. E, entretanto, não obstante ao facto de eu não ser do MPLA ou da UNITA, posso participar livremente de uma manifestação.

De modo contrário, não pareceria nada inteligente de minha parte caso as manifestações que, enquanto cidadão, participo fossem organizadas ou apoiadas por partidos políticos na oposição, pois não seria da minha livre vontade, junto com os demais cidadãos que pensam como eu, fazer parte de uma manifestação contra os problemas do país.

Entretanto, uma vez claro que a UNITA é que está em cima desta carne seca, orquestrando manifestações aos pontapés, e pelo facto de eu ser um cidadão angolano, sem filiação com qualquer partido por vontade própria e infeliz com alguns aspectos do governo, vejo claramente que, na senda do jogo de cintura política, a UNITA vai manobrar o povo, ainda que de modo inconsciente, para o alcance dos seus objectivos.

A manifestação é um Direito Constitucional e podemos gozar dela sempre que necessário, porém não de modo vulgar, pois, até mesmo dela já se resultou em ameaças aos profissionais da Televisão Pública de Angola, pessoas que podem ser familiares dos nossos familiares, país, mães, irmãos ou primos. Não é esta Angola que eu sonhei.

Não vamos aderir a manifestações de partidos políticos, vamos participar em manifestações do povo, da sociedade, das famílias que reclamam por uma causa comum, sem influências estratégicas de pessoas que se queiram beneficiar pelo que lamento.

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