Jomo Fortunato: “Temos de mudar a atitude de afastar a competência quando há dinheiro”

«Assustei-me de forma controlada», recorda Jomo Fortunato, ao revelar ao Novo Jornal como reagiu quando soube que substituiria Adjany Costa. Por isso, na sua primeira grande entrevista nas vestes de titular da Cultura, Turismo e Ambiente, o superministro considera o cargo uma «recompensa» contra a alegada «trama» que lhe tinha sido montada quando geria o Memorial António Agostinho Neto. O novo modelo de Carnaval live, a polémica à volta do hino dos 45 anos da Independência, a questão dos derrames petrolíferos, os plágios nos concursos literários e o fraco aproveitamento do potencial turístico nacional também entram no «radar» de Jomo Fortunato, que confessa ter «medo de mexer em um tostão».

Qual é a sensação de dirigir o superministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA)?

Para mim, foi uma surpresa e agradeço, desde já, ao Presidente da República. Há ideias que tinha fora das instituições oficiais que agora vou ter a oportunidade de aplicá-las. Penso cultura desde a minha adolescência, pelo que o superministério é só articular com a Cultura, Turismo e Ambiente e não secundarizar os secretários de Estado. Para mim, os secretários de Estado são ministros, teoricamente, aos quais entrego 90% das grandes responsabilidades. Os outros 10% são discutidos num briefing semanal que lidero, em que a Cultura entende o Ambiente, o Ambiente entende o Turismo e este último entende a Cultura. Acho que é uma técnica que tem estado a resultar. É funcional.

Nestes dois meses à frente do MCTA, que problemas já identificou?

É, sobretudo, no Ambiente. O Ambiente como tem dinheiro… licenças, etc. O resto é tudo pacífico. Temos de ter a capacidade de reduzir de forma simples aquilo que é complexo. A simplicidade é o controlo da complexidade. Não é simples quem quer. Não podemos recuar, obviamente, perante problemas complexos. Temos de tentar reduzi-los ao simples. E simples não é simplista.

Disse que vai implementar algumas das ideias que tinha quando ainda não era ministro. Em relação ao Ambiente, que é o sector onde diz haver mais problemas, que ideias tinha fora e que pensa em colocá-las em prática?

Referia-me à Cultura. Nunca fui ambientalista. Mas acho que um indivíduo que tenha tido uma boa 4.ª ou uma boa 8.ª classe, um médio, consegue dirigir o Ministério [da Cultura, Turismo e Ambiente]: sabe fazer contas, sabe o que é a biodiversidade, flora ou fauna. Um derrame todo o mundo sabe o que é [Em meados de Dezembro]. Houve um derrame em Cacuaco de óleo queimado, uma empresa que compra óleo queimado. Fui lá ver…

Não tem faltado «mão pesada» do Estado sobre o assunto dos derrames?

Mão pesada? Não!

É que nunca assistimos a julgamento ou a punições concretas que limitassem outros possíveis infractores.

Há multas e há situações em que se firmam acordos amigáveis. Por exemplo, há derrames cuja contrapartida pode ser a construção de qualquer coisa ligada ao ambiente. Há vários tipos de negociações que não só a penalização pura.

Há ou tem havido?

Tem havido outros processos negociais. E alguns os aprendi aqui. Aliás, sou uma pessoa que quando não sabe pergunta. Portanto, não vamos pensar que temos um ministro que entende tudo.

À boca pequena, dizia-se que era assim que pensava Adjani Costa, a sua antecessora…

Não percebi.

Dizia-se que a antiga ministra não dava espaço aos secretários de Estado.

Isso é passado, e cada um tem os seus métodos de gestão. Isso tem de ser respeitado.

Mas soube destes relatos em relação à liderança de Adjani Costa?

As coisas negativas do passado eu tenho-as num compartimento que está fechado. Só vou buscar o passado se, de facto, for útil na prossecução da minha gestão ou da forma como eu encaro este fenómeno tripartido.

Diz-se que o Executivo planeia desmembrar a Cultura dos outros dois sectores, o Turismo e Ambiente. Tem conhecimento disso?

Não.

Reagiria bem a um possível desmembramento?

Tenho de reagir [bem]. Quem sou eu?! Nós temos um Titular do Poder Executivo…

Se tivesse direito de voto, votaria a favor ou contra o desmembramento? 

Completamente contra, porque estou muito bem a gerir os três sectores.

Fonte: Novo Jornal

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